quarta-feira, 29 de agosto de 2012

" Colombo nasceu em Cuba, Portugal" - “Cristóvão Colon (Colombo) era Português, análise do livro”



“COLOMBO NASCEU EM CUBA, PORTUGAL!”

Cuba  é uma povoação, em Portugal,  que já existia antes de Cristo nascer, há dois mil  anos. Está localizada na parte central do  Alentejo. Este artigo foi preparado pela Comissão  de Defesa de Cuba. Foi extraído da página que esta  organização  tem na Internet  Aqui está o artigo, com a devida vénia
Cristóvão Colom  Fernandus, ensifer copiae Pacis Juliae,
illaqueatus cum Isabella Sciarra Camarae,  mea soboles Cubae sunt.

QUEM DESCOBRIU AS AMÉRICAS ?

Os acontecimentos históricos, tal como chegam ao nosso conhecimento, são o resultado das teses apresentadas pelos historiadores após pesquisas aturadas e investigação sobre vestígios ou documentos antigos a que possam ter acesso.
Muitas vezes, é bastante escassa a documentação original sobre determinado época, tema ou personagem e algumas outras vezes os historiadores, inconsciente ou conscientemente deturpam ou adaptam os factos que investigam, de acordo com os seus preconceitos ou interesses.
Sobre o navegador e descobridor das Américas, perante a escassez de documentação original e fidedigna suficiente para determinar inequivocamente a sua nacionalidade, desenvolveram-se teorias diversas, tendo-se firmado a aceitação quase geral de que o descobridor das Américas, ao serviço dos Reis de Espanha foi um italiano – o genovês Cristóforo Colombo.
As investigações e publicações de alguns historiadores portugueses, onde se destacam os contemporâneos Prof. Mascarenhas Barreto (“Colombo” Português – Provas Documentais, 2 volumes, ed. Nova Arrancada) e Prof. Manuel Luciano da Silva (Histórias da história, a odisseia dos judeus portugueses), vieram desmistificar a tese do Colombo genovês e contribuem para se poder afirmar, peremptoriamente, quem foi o verdadeiro descobridor das Américas.

NASCIDO NA CUBA

O navegador Cristóvão “Colombo” será português, alentejano, nascido na Cuba? A tese, algo surpreendente para quem se habituou à versão oficial, tem alguns defensores, entre os quais se destaca o investigador Mascarenhas Barreto. A polémica promete alastrar, já que oficialmente aquele descobridor nasceu em Génova, Itália, de origem humilde. Estranho é que um homem do povo possa ter embarcado numa cruzada de magnitude inquestionável e que tivesse sido recebido pelos Reis Católicos de Espanha e pelo nosso Rei D. João II, como poucos nobres o eram. Mistérios que começam no próprio nome do descobridor das Américas: Cristóforo Colombo, Cristobal Colón ou Cristóvão Colom? A tese de Mascarenhas Barreto é o resultado de 15 anos de uma verdadeira epopeia em busca do verdadeiro “Colombo” – que nem italiano sabia falar ou escrever...
O navegador, para ocultar a sua verdadeira origem, pelos motivos que adiante se compreenderão, utilizava nos seus documentos uma sigla cabalística cuja decifração em latim é:
“Fernandus, ensifer copiae Pacis Juliae, illaqueatus cum Isabella Sciarra Camarae, mea soboles Cubae sunt”
 que significa: “Fernando, que detém a espada do poder em Pax Julia, ligado com Isabel Sciarra da Câmara, são a minha geração de Cuba”, ou seja
“Fernando, duque de Beja e Isabel Sciarra da Câmara são os meus pais de Cuba”

CRISTÓVÃO COLOM, ORIUNDO DA NOBREZA
 
A sigla cabalística fala das origens reais de Colom, cujo verdadeiro nome era Salvador Fernandes Zarco, e designa Cuba como sua terra natal, sendo de sublinhar que na altura do seu nascimento, não existia, nem em Itália nem em Espanha, nenhum outro lugar com esta denominação.
Mascarenhas Barreto refere que basta ler, com cuidado, os documentos verdadeiros escritos por Colom para vermos que a história não pode ser como a conhecemos, já que ele nos dá as pistas todas para percebermos que as suas origens eram portuguesas.
Uma das confusões instaladas nos livros de História prende-se com o falso nome do navegador que, no entender de Mascarenhas Barreto jamais se poderia chamar Colombo, mas sim Colom, pseudónimo utilizado pelo navegador, que por vezes também aparece referido como Guiarra ou Guerra. A palavra Colon resultou de uma castelhanização do apelido Colom, e após a morte do navegador o segundo “o” foi acentuado, dando “Colón” que persistiu até aos nossos dias, estando oculta a artificialidade daquele nome que foi “fabricado”.
Olhando os antepassados de Salvador Fernandes Zarco também encontramos algumas pistas para o pseudónimo de Cristóvão Colom: sua avó materna era Constança Roiz de Sá (Almeida), filha de Rodrigo Anes de Sá e Cecília Colonna, a qual era filha de Giacomo Sciarra. Certamente o apelido Colom, por vezes referido como Guiarra, não foi inventado ao acaso.
Mascarenhas Barreto atribui ao Infante D. Fernando, duque de Beja, segundo duque de Viseu e mestre da ordem de Cristo, irmão do Rei D. Afonso V e filho do rei D. Duarte, a paternidade de Colom. Provavelmente antes do seu casamento já agendado com D. Beatriz, D. Fernando teve uma ligação com Isabel Sciarra da Câmara, filha do navegador João Gonçalves Zarco – descobridor do arquipélago da Madeira. Fruto desta relação não oficial, o filho de ambos nasceu em Cuba, para onde Isabel da Câmara se tinha afastado de forma a ficar longe de murmúrios indesejáveis. O seu nome de baptismo foi Salvador Fernandes Zarco, explicitando claramente os seus ascendentes: Zarco por parte da família da mãe, como último apelido tal como se usava então e Fernandes a designar “filho de Fernando” como era habitual.
Aos seis anos o jovem Salvador viajou com a mãe para o arquipélago da Madeira, a quem fora, convenientemente,  arranjado casamento.
Crescendo numa família de navegadores não é estranho que Salvador se tivesse interessado pelas coisas do mar e revelado natural conhecimento, tendo iniciado, aos 14 anos, a vida marítima nas caravelas portuguesas em viagens para a costa de África.
Este facto junta-se a tantos outros que justificam a origem portuguesa do navegador, pois por decreto real, os estrangeiros estavam proibidos de navegar nas caravelas e naus
portuguesas dos descobrimentos.

CÓPIAS E FALSIFICAÇÕES

Como data para o nascimento do navegador, Mascarenhas Barreto aponta o ano de 1448 e não 1451 como falsamente documentado pelos italianos para o seu Colombo, sendo essa data sustentada por escritos do próprio Colom, constantes do seu Diário de bordo, com data de 21 de Dezembro de 1492: “tenho andado 23 anos no mar sem sair tempo que tenha de contar”. Sabendo que começou a navegar aos 14 anos e que esteve 7 anos em Castela até conseguir uma resposta positiva dos Reis Católicos, tal perfaz 44 anos à data do escrito (1492).
Outro facto intrigante prende-se com as origens humildes do Colombo italiano pois nem um genovês consegue convencer que alguém nasce duas vezes, pelo que se conclui irrefutavelmente que o cardador de lãs, tecelão ou taberneiro de Génova (tal como apresentado pelos italianos) jamais poderia encontrar-se na pele de explorador dos mares.
Alega Mascarenhas Barreto que toda a documentação apresentada pelos supostos historiadores italianos, e não só, padece de uma enfermidade de origem, já que, não raras vezes, eram verificadas alterações ou deturpações nas sucessivas edições copiadas desses documentos, que pareciam tentar ampliar cada vez mais a justificação do Colombo italiano. Os italianos conseguiram o prodígio de arranjar documentos para Cristóforo Colombo, para o seu pai e sua mãe, mas esta família parece que está completamente isolada e suspensa na geneologia: não há ascendentes, nem descendentes, nem parentes. Absolutamente nada.
Naquele tempo nem a nobreza tinha atestados de nascimento, e mesmo dos próprios reis, só sabemos quando nasceram porque se registava a data da sua morte e a idade que tinham. Como é então possível que um simples cardador de lãs tivesse registos civis, e que, pior do que isso, estes só tenham “aparecido” em meados do século XIX ?
E, mais grave ainda, apareceram documentos contraditórios entre si e outros com factos impossíveis.
Além dessas incoerências existe um outro aspecto inconcebível, que é o facto de os italianos não apresentarem quaisquer documentos originais, mas apenas cópias para confirmação de factos históricos credíveis. Tal só se justifica porque nunca existiram documentos originais que demonstrem a nacionalidade italiana do navegador.

ESPIÃO AO SERVIÇO DO REI PORTUGUÊS
 
Mascarenhas Barreto defende que, apesar do aparente servilismo aos Reis Católicos com o fito de encontrar uma nova rota para chegar à Índia navegando para Ocidente em volta da Terra, Colom estaria verdadeiramente ao serviço de D. João II, Rei de Portugal desde 1481, e primo do navegador. (D. João II era filho do Rei D. Afonso V, de quem D. Fernando, duque de Beja, era irmão)
O Rei português pretendia forçar a alteração do tratado de Toledo (1480) com os espanhóis, que concedia a Espanha o domínio sobre as terras e águas atlânticas para além de 100 léguas de Cabo Verde acima de um paralelo localizado a sul das Canárias  e a Portugal o domínio abaixo desse paralelo.
Para conseguir concretizar os seus intentos, D. João II, enviou a Espanha o navegador Salvador Fernandes Zarco, que se apresentou sob o pseudónimo de Cristóvão Colom, com a missão de convencer os Reis Católicos a financiar e investir na procura da rota das Índias pelo Ocidente, devendo manter sempre oculta a sua origem.
Os Reis Católicos sabiam certamente que era português, mas julgaram tratar-se de um navegador a quem D. João II tinha recusado financiar essa mesma expedição, e que, como tal, se virava para Espanha.
Só após 7 anos de infrutíferas tentativas Colom conseguiu convencer os Reis, apesar dos seus vastos conhecimentos e experiência de navegação atlântica.
Como poderia um cardador de lãs genovês, sem qualquer experiência de navegação, ter sido recebido e convencido os Reis de Espanha a financiar tal aventura?
Como se explica, com as limitações impostas pelo tratado de Toledo vigente, que Colom navegasse até às Canárias e depois virasse para sul, sabendo que tudo o que descobrisse não seria para Espanha mas sim para Portugal?
O objectivo de D. João II era que Colom, ao serviço dos Reis de Espanha, descobrisse terras na zona atribuída a Portugal, para justificar um protesto legítimo e fazer alterar o Tratado por um mais favorável.
No regresso da sua viagem, Colom não se dirigiu directamente a Espanha, mas “inventou” uma tempestade que o obrigou a permanecer em solo português durante vários dias , tendo aproveitado para visitar a família na Madeira e ter falado com D. João II, dando-lhe conta das suas descobertas. Só depois foi para Espanha ter com os Reis que lhe financiaram a viagem.

BULAS E TRATADOS

Usufruindo da grande vantagem do Papa Alexandre VI ser ítalo-castelhano, os Reis Católicos conseguiram obter uma série de Bulas que lhes asseguravam o direito de propriedade sobre as terras recém descobertas e numa delas atribuía a Espanha o domínio exclusivo de todas as ilhas e terras firmes, já descobertas ou que viessem a sê-lo, situadas a ocidente de uma linha imaginária traçada de pólo a pólo que passasse 100 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde e dos Açores.
Naturalmente que os portugueses, não satisfeitos com a decisão, já que sabiam da existência de terras para lá dos limites que lhes eram atribuídos, assumiram uma atitude belicista, colocando a península Ibérica na eminência de um conflito armado.
Em Junho de 1494 foi assinado o tratado de Tordesilhas, definindo-se uma linha meridiana, de pólo a pólo, 370 léguas a ocidente de Cabo Verde e estabelecendo-se que as terras que ficassem a oeste do referido meridiano pertenceriam à coroa espanhola e as que ficassem a leste pertenceriam à coroa portuguesa. Dessa forma evitou-se o conflito, deixando os espanhóis acreditar que tinham deixado a Portugal somente a posse de 270 léguas a mais no Oceano e a Espanha garantia a posse das ilhas antilhanas descobertas por Colom.
Na realidade, este novo Tratado imposto por Portugal contra Espanha foi previamente aceite pelo Papa sem perceber a insistência portuguesa, mas os portugueses já tinham descoberto o Brasil e a Terra Nova, só que não tinham divulgado essas descobertas por ficarem na zona que estava então atribuída a Espanha.
Cristóvão Colom conseguiu dessa forma assegurar para Portugal tanto o controlo do Atlântico Sul como a parte de terra firme que fica a leste da linha imaginária – o Brasil.
Significativamente, na sua primeira Bula “Inter caetera” de 3 de Maio de 1493, o Papa, legitimando o acordo para o tratado de Tordesilhas e mencionando o navegador, aceitou a ortografia de CHRISTOFOM COLON.


CUBA , DESCOBERTA POR COLOM

Muitos foram os lugares descobertos por Colom ao serviço dos Reis de Espanha que lhe concederam o título de Almirante: a primeira ilha que descobriu foi Guananahi, a que deu o nome de S. Salvador (no actual arquipélago das Bahamas). Ora, apesar de usar o pseudónimo de Cristóvão, e de assinar XpoFERENS (aquele que leva Cristo) na sigla cabalística, o verdadeiro nome do navegador era Salvador.
À segunda ilha deu o nome de Santa Maria da Conceição, procurando a origem de Santa Maria da Conceição, que Frei Fernando Colom, filho do navegador, indica estar relacionada com a devoção do Almirante, verificou-se que nem em Córdova, nem em Sevilha por onde Colom andou em Espanha, nem em Génova existia qualquer igreja devotada a Nª Sra. da Conceição, mas sim em Beja, o convento mandado edificar pelo Infante D. Fernando (pai de Colom) em 1467.
À terceira ilha deu o nome de Fernandina, tendo Frei Fernando Colom referido que o foi em honra de D. Fernando, o Rei Católico de Espanha. Mas o topónimo Fernandina não deriva de Fernando, e sim de Fernandes (filho de Fernando) e Colom tinha Fernandes no seu nome verdadeiro, Salvador Fernandes Zarco.
À quarta ilha chamou Isabela, que poderia ser em homenagem à Rainha Isabel a Católica mas também em homenagem a sua mãe, Isabel da Câmara. Mas se fosse em homenagem à Rainha Católica, que mais apoiou Colom enquanto o Rei não o aceitava, ter-lhe-ia dado primazia e atribuído o nome à terceira ilha.
E à quinta ilha o nome de Juana, admite-se que em honra do Rei D. João II, mas depois, para manter o sigilo da sua missão,  trocou-o por Cuba, nome da sua terra natal no Alentejo.
Os nomes que Colom foi atribuindo aos lugares das Antilhas (Caraíbas) que descobriu correspondem, na sua maioria, a topónimos portugueses, quase sempre do Alentejo, nomeadamente S. Bartolomeu, S. Vicente, S .Luís, Sta. Luzia, Guadiana, Porto Santo, Mourão, Isabel, Sta. Clara, S.Nicolau, Vera Cruz, Espírito Santo, Guadalupe, Conceição, Cabo de S. João, Cabo Roxo, S. Miguel, Sto. António, Sto .Domingo, Sta. Catarina, S. Jorge, Trindade, Ponta Galera, S. Bernardo, Margarida, Ponta de Faro, Boca de Touro, Cabo Isabel, ilha dos Guinchos, Salvador, Santarém, Cuba, Curaçao e Belém, entre outras.
Sendo certo que alguns destes nomes são comuns em português e castelhano, outros só existiam na língua portuguesa, como Brasil, Santarém, Curaçao, Faro, Belém, Touro, e Ponta
Ora, se o navegador Cristóvão Colom tivesse nascido em Génova, porque motivo nunca atribuiu a nenhuma das suas descobertas um nome em honra das cidades famosas de Itália.
Cuba, em português antigo “coba” significava “torre” e não tinha qualquer significado noutro país.
Cristóvão Colom deu, à maior ilha que encontrou o nome de Cuba, sua terra natal, tendo explorado toda a ilha excepto o limite Oeste pois temia que tivesse ligação com o Oceano Pacífico e que a partir daí fosse possível alcançar a Índia, que ele não desejava entregar aos espanhóis.

UM EMBUSTE CHAMADO COLOMBO

Como justificação para o embuste chamado Colombo, Mascarenhas Barreto tem uma explicação que assenta fundamentalmente na necessidade sentida pelos italianos, após a reunificação das várias repúblicas em meados do séc. XIX, de encontrarem um símbolo nacional.
Cristóforo Colombo vestia bem a pele de herói, já que de simples cardador de lãs se teria tornado no “descobridor da América” (com a ajuda da Banca italiana).
Os italianos precisavam de um ídolo que os revalorizasse perante o resto da Europa após séculos de constantes derrotas militares, cedências políticas e dependências de coroas estrangeiras

DESFAZER AS DÚVIDAS

A teoria do Colombo genovês conseguiu implantar-se nos livros de história, mas cada vez mais se levantam as dúvidas, e é bem possível que o que é tomado como verdade hoje, já não seja a verdade de amanhã quando se publicarem os estudos do ADN às ossadas que estão na catedral de Sevilha, atribuídas ao navegador (ou em Santo Domingo ou em Havana, pois nem isso é certeza) e se comparem com as de seus descendentes conhecidos, para confirmar se são ou não de Cristóvão Colom, e que depois disso se vá mais além, fazendo a exumação das ossadas de D. Fernando, Duque de Beja para verificar se este era ou não o pai de Colom.
Pelo monograma que incluiu em alguns dos seus escritos, acima das suas siglas, e que foi decifrado como correspondendo às iniciais S F Z, e por aquilo que o navegador, de verdadeiro nome Salvador Fernandes Zarco escreveu, não há dúvidas:
“Fernandus, ensifer copiae Pacis Juliae, illaqueatus cum Isabella Sciarra Camarae, mea soboles Cubae sunt”
ou seja
“Fernando, duque de Beja e Isabel Sciarra da Câmara são os meus pais de Cuba”


Análise do livro “Cristóvão Colon (Colombo) era Português”, de Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva, pela Historiadora Lilian Gafni, da Califórnia, Estados Unidos

Surpreendente e fascinante descoberta neste livro científico “Cristóvão Colon (Colombo) era Português”!

O VERDADEIRO CRISTÓVÃO COLON!

Diz-se que assentamos nos ombros de gigantes quando se trata de novas descobertas e trabalhos científicos no mundo. No livro “Cristóvão Colon (Colombo) era Português”, de Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva, pode ler-se e ver-se o quanto os dados recolhidos durante mais de 40 anos são irrefutáveis.

Toda a evidência histórica coligida pelos autores ao longo desse período aponta para o facto de que Colombo não é originário de Génova, como se tem acreditado até hoje, mas sim de Portugal, que foi autor da maior parte das descobertas de novas terras nos séculos XIV e XV.

Para começar, o navegador nunca assinou o seu nome como “Colombo”, mas sim como “Cristofõm (Cristóvão) Colon”. Duas Bulas Papais do Papa Alexandre VI (1492-1503), em Roma, mostram claramente o nome “Cristofõm Colon”.

Foi uma antiga tradução a partir de latim, que substitui “Colon” por “Colombo”, que deu origem a toda a confusão. Além do mais, Colombo (Colon) usou uma bênção críptica, o seu monograma, uma cifra das suas iniciais, e a sua própria Sigla, a sua “marca registada”, em toda a correspondência que trocou com o filho Diogo, para encobrir a sua verdadeira identidade. 

Também, todas as ilhas descobertas por si e para Espanha foram baptizadas com nomes portugueses.

A rigorosa investigação levada a cabo por Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva, verificando com rigor todos os factos, em Roma, Portugal e noutros países, e a comunicação que manteve com diversas pessoas ao longo desses anos, prova não só que o navegador era português, mas que Portugal descobriu a maior parte das ilhas e terras durante a era dos descobrimentos, incluindo o continente americano pelo português Miguel Corte Real em 1502, com as famosas inscrições na Pedra de Dighton em 1511, no estado de Massachusetts.

Resta agora que todos os historiadores, epigrafistas e arqueólogos reconheçam a evidência e os factos contidos no livro “Cristóvão Colon (Colombo) era Português”  a incluam nas suas publicações científicas, como uma “Bula” de que Cristóvão Colon era Português!

(Tradução para português por Pedro Laranjeira, aprovada pela autora em 5 de Novembro de 2011, às 02:11)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

" Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva"

" Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva"

Pêro da Covilhã desempenhou um papel importante na preparação da viagem de Vasco da Gama à Índia. Conhecia diversas línguas e era fluente em árabe.
Em Maio de 1487, juntamente com Afonso de Paiva, viajou por terra de Santarém a Barcelona. Ali, os dois aventureiros embarcaram para Nápoles e depois para Rodes. Deixaram então terras cristãs e seguiram para Alexandria.
 Itinerário de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva, de Santarém, Portugal a Alexandria e Cairo no Egipto
Chegaram ao Cairo e juntaram-se a uma caravana que percorreu o deserto da costa Leste do Mar Vermelho. Visitaram Meca, onde rezaram, como bons muçulmanos que deviam parecer. Chegaram a Aden no começo de 1488 e separaram-se. Nenhum deles regressaria a Portugal.
Afonso de Paiva dirigiu-se à Etiópia.
Pêro da Covilhã fez um percurso notável. Atravessou o Oceano Índico e chegou a Calecute, um pequeno reino da Índia, em Novembro de 1488. Empenhou-se em conhecer o percurso das especiarias e visitou Cananor e Goa. Navegou dali até Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico.
Itinerário de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva, do Cairo no Egipto a Aden, no Iéman do Sul.  Itinerário de Pêro da Covilhã de Aden até Calicute, Cananor e Goa, na Índia e Ormuz no Golfo Pérsico. 
Em Dezembro de 1489, Pêro embarcou para Sul. Passou por Melinde, cidade do Quénia actual, Ilha de Moçambique e Sofala. Ficou a saber que, depois de dobrar o extremo Sul da África e atingida Sofala ou Melinde, seria fácil navegar até Calecute.
Itinerário de Pêro da Covilhã de Ormuz até Melinde no Quénia e Ilha de Moçambique e Sofala em Moçambique
No final de Janeiro de 1491, Pêro da Covilhã chega às portas da cidadela do Cairo, onde combinara encontrar-se com Afonso de Paiva. O companheiro faltou. Julga-se que terá alcançado a Etiópia. Morreu de peste e não pôde dar notícias da viagem.
Pêro encontrou no Cairo judeus portugueses e enviou um relatório para o rei. Vasco da Gama pôde então atravessar o Oceano Índico, de Melinde para Calecute.
O aventureiro da Covilhã regressou a Aden. Depois embarcou para Zeila, na costa da Etiópia. Terminou ali um sonho português. O mítico Preste João era senhor de um reino pobre que resistia com dificuldade aos muçulmanos que o rodeavam. De pouco serviria na empresa contra os turcos.
Pêro da Covilhã terá sido impedido de sair do reino. Não é certo que assim tenha sucedido. Deu-se bem na Abissínia. Foi acarinhado pela família real. Casou mais do que uma vez. Morreu velho e deixou numerosa descendência.
Para além de judeus e navegadores, havia também frades portugueses aventureiros. Dois alcançaram a corte da Etiópia. No regresso a Lisboa, acompanharam o embaixador Mateus, enviado por sugestão de Pêro da Covilhã, já conselheiro régio da rainha Helena.
Em 1521, Pêro da Covilhã foi visitado pelo embaixador D. Rodrigo de Lima. Tinha mais de setenta anos, o que parecia muito para a época e para a agitação da sua vida. Não se sabe quando morreu.
O relato das suas viagens chegou a Lisboa, enviado pelo autor. O livro "As Verdadeiras informações das Terras do Preste João das Índias" foi publicado em Lisboa, no ano de 1540.
( fonte: António Trabulho de http://decaedela.blogspot.pt )

O Primeiro europeu em Sofala - Pêro da Covilhã -

Por: Eric Axelson (tradução de Reginal A. Brown)

"Em paralelo com a viagem de Bartolomeu Dias teve lugar uma outra, a de Pêro da Covilhã, que partiu de Portugal, também em 1487, com instruções de D. João II para ir à Índia através do Mediterrâneo e do Egipto, a fim de observar o comércio de especiarias e fazer um relatório sobre o comércio e a navegação no Índico.
Até Aden foi acompanhado por Afonso de Paiva, que tinha a missão de chegar à Abissínia e de estabelecer contactos entre D. João e o Imperador.
Viajando como muçulmano em barcos muçulmanos, Covilhã chegou à costa do Malabar e observou os mercados das especiarias. Foi a Ormuz e depois viajou até à costa africana, adquirindo assim conhecimentos sobre as monções do Índico.
Visitou a imponente cidade de Quiloa e também Sofala, onde recolheu conhecimentos do comércio do ouro com o interior, comércio que tanto contribuiu para manter a velha civilização da costa oriental da África.
Voltou ao Cairo, onde soube que Paiva tinha morrido sem ter alcançado a Etiópia.
Na véspera da sua partida para Portugal, dois judeus entregaram-lhe uma mensagem do Rei D. João II, que dizia que não deviam regressar a Portugal sem ter completado toda a missão de que tinham sido incumbidos.
O rei tinha um interesse muito especial em ter notícias da Etiópia e Covilhã tinha de levar um dos judeus a Ormuz, dado que acabava de saber da grande importância comercial da cidade.
O professor Beckingham é de opinião que os judeus tinham saído de Portugal depois do regresso de Bartolomeu Dias, o que tornava ainda mais imperativo que o rei soubesse se os barcos portugueses encontrariam aliados e portos amigáveis no Índico.
Covilhã mandou um relatório ao rei e então escoltou o rabi até Ormuz.
A seguir visitou Jida, Meca e Medina. Viajou de barco desde Sinai até Zeila, tendo chegado à Etiópia, país onde, por força de circunstâncias várias, passou o resto da sua vida.
Enquanto Covilhã viajava, D. João mandou preparar uma frota com o fim de completar a descoberta do caminho marítimo para a Índia.
Bartolomeu Dias supervisionou a construção de quatro navios. O rei adiou a partida da frota até que recebesse notícias de Covilhã e, por causa deste adiamento, os louros – e os lucros – da descoberta do caminho marítimo para a Índia, seriam para o seu sucessor, Manuel I, - “O Venturoso”.

" descobrimentos portugueses " de Edgar Prestage

No tempo em que partiu para realizar a sua expedição, Pêro da Covilhã tinha cerca de quarenta anos de idade; era um homem de origem humilde, dotado daquela energia e persistência que caracteriza os beirões.
Nos primeiros tempos da sua vida foi para Espanha, e esteve sete anos na casa do duque de Medina Sidónia, onde aprendeu a falar o Espanhol correctamente, a confiar em si e a manejar uma espada.
Em 1474 voltou a Portugal e foi feito escudeiro por D. Afonso V, e, depois da morte deste monarca, fez parte da guarda de D. João II.
Este rei empregou-o como agente secreto em Espanha para espiar os membros da Casa de Bragança que ali se haviam refugiado depois da prisão do duque e também o enviou em missões a Tremecem e a Fez, onde aperfeiçoou os seus conhecimentos de árabe
Pouco tempo depois da sua volta a Portugal, nos princípios de 1487, confiou-lhe D. João II uma missão de maior fama e deu-lhe por companheiro a Afonso de Paiva, oriundo de uma família das Canárias.
As particularidades da expedição foram dispostas pelo rei uma vez consultados D. Diogo Ortiz, seu capelão-mor e hábil cosmógrafo, Mestre Rodrigo, médico do rei, e mestre Moisés, também conhecido por José Vizinho.
Supõe-se que estes dois homens, simultaneamente cosmógrafos e matemáticos – os mesmos que mais tarde haviam de examinar as propostas de Colon – trabalharam com Martim de Boémia na construção de um astrolábio aperfeiçoado. Prepararam, para Pero da Covilhã e para o seu companheiro uma carta de marear e instruções, certamente orais por receio de extravio, e explicaram-lhes o caminho que deveriam tomar para a região das especiarias;
Um dos viajantes devia ir para a terra do Prestes João e esforçar-se por saber ao certo se era possível navegar pela Guiné para os mares do Oriente. O rei não procurava um aliado contra o islam na pessoa do Padre-Rei, como D. Henrique fizera, mas esperava encontrar, através dele, uma porta para a expansão portuguesa.
Diz João de Barros: “ Parecia a El-Rei que por via deste, o Preste João, podia ter alguma entrada na Índia. Porque por os abexins religiosos, que vêm a estas partes de Espanha, e assim por alguns frades, que de cá foram a Jerusalém, a que ele encomendou que se informassem deste príncipe, tinha sabido, que seu estado era a terra, que estava sob o Egipto, a qual se estendia até ao mar do Sul “ .
Esta localização do Padre- Rei, embora imperfeita, provinha de informações directas. Como além disso soubesse que Jerusalém era visitada por monges abexins, D. João II havia já expedido para esta cidade, em missão análoga, Frei António de Lisboa e Pedro Monterroio; mas estes, por falta de conhecimentos de árabe, não foram mais além. Nove meses depois da partida de Pero da Covilhã e de Afonso de Paiva, chegou a Lisboa, vindo de Roma, um padre abexim, chamado Lucas Marcos, e, pelo que diz João de Barros é óbvio que D. João II sabia que o seu soberano era o Preste João.
A 7 de Maio de 1487, o Rei deu em Santarém uma audiência de despedida a Pero da Covilhã e a Afonso de Paiva, na presença do duque de Viseu, futuro D. Manuel I; entregou-lhe quatrocentos cruzados e uma carta de crédito, e concedeu-lhes a sua bênção.
Vieram de jornada até à capital e, pondo de parte algum dinheiro para as primeiras despesas, entregaram o resto, para lhes ser dado em Valência, ao italiano Bartolomeu Marchioni, talvez o banqueiro mais rico de Lisboa.
Foram até Valência por terra e seguiram depois para Barcelona onde embarcaram para Nápoles e Ródes; compraram nesta ilha uma grande carregação de mel, para viajarem como mercadores, conforme haviam sido aconselhados por dois portugueses, cavaleiros do Hospital ali residentes, e tomaram então um navio para Alexandria.
Nesta cidade adoeceram ambos com febres, e, quando se restabeleceram, viram-se privados da sua mercadoria porque o governador, no uso dos seus direitos, se havia apoderado dela, julgando que morriam. Depois de algumas dificuldades obtiveram uma pequena indemnização em dinheiro, compraram novas mercadorias e seguiram para o Cairo.
Muitos mercadores com quem Pero da Covilhã travara conhecimento, haviam estado na Índia e outros dirigiam-se para lá por Tor e Aden. Entre estes últimos havia alguns mouros de Marrocos com quem Pero da Covilhã e Afonso de Paiva combinaram seguir viagem.
Na primavera de 1488, fizeram-se de vela numa pequena barca árabe para Aden, via Suaquem, levando provavelmente dois meses no caminho; quando chegaram era já tempo da monção para a Índia, e então os dois separaram-se.
Afonso de Paiva dirigiu-se à Etiópia, provavelmente com a intenção de regressar dali a Portugal, ao passo que Pero da Covilhã embarcou num navio que metia duzentas a trezentas toneladas de carga e que então se conhecia em Portugal sob o nome de " nau de Meca".
Dentro de um mês alcançava Cananor e daqui seguiu para Calecute, então o porto mais rico da Índia, no qual havia uma grande colónia de mercadores muçulmanos que detinham nas suas mãos o comércio externo, designadamente o das especiarias.
Em Agosto e Setembro chegavam os navios de Aden e dos Estreitos com mercadorias do Ocidente, e em Fevereiro largavam para as suas terras com pimenta, cravo da Índia, canela, ruibarbo, pedras preciosas, porcelanas e outras mercadorias trazidas a Calecute das outras partes da Índia, de Ceilão e do Extremo Oriente.
Depois de se familiarizar com este tráfico, Pero da Covilhã passou para Goa, centro do comércio de cavalos, que, vindos pelo Mar Arábico, ali se compravam para satisfazer as necessidades militares dos potentados indianos.
Fez depois a travessia para Ormuz, empório do golfo Pérsico, e, nos fins de 1489, meteu-se num navio e seguiu até Sofala ao longo da costa oriental de África, localidade habitada por muitos árabes negociantes de ouro das minas do interior. Daqui voltou para Aden, em Outubro de 1490, e atingiu o Cairo, provavelmente no fim do mesmo ano, cerca de quatro anos depois de ter saído de Portugal.
Todas estas datas foram calculadas pelo conde de Ficalho, mas são por ele próprio consideradas hipotéticas.
Quando chegou ao Cairo era sua intenção voltar para Portugal, pois já se havia desempenhado da sua missão; esperava encontrar-se nesta cidade com Afonso de Paiva, mas soube que este já tinha morrido.
Encontrou porém, dois judeus que D. João II enviara em sua procura, um chamado José de Lamego, sapateiro, que já anteriormente visitara Bagatá, e um rabi de Beja chamado Abraão.
Traziam-lhe uma carta com ordem de regressar a Portugal, se a missão já estivesse concluída, caso contrário, não devia descansar enquanto não visse o Preste João, nem mostrasse Ormuz a Abraão.
Pero da Covilhã não era homem para desobedecer; além disso, é provável que a atracção da aventura e do desconhecido se tivessem apoderado dele. Antes, porém, de seguir o seu caminho, escreveu uma carta ao Rei, e enviou-a por José Lamego.
O Padre Francisco Álvares, que foi à Abissínia com a missão de D. Rodrigo de Lima em 1520, é o nosso principal informador sobre a jornada de Pero da Covilhã em ( verdadeira informação das terras de Preste Joam  Lisboa, 1540 e 1889 cap. 103), escreveu, porém, muito tempo depois e conta-nos aquilo de que Pero da Covilhã se lembrava passados muitos anos.
Segundo este autor, Pero da Covilhã mandou dizer ao Rei que tinha visitado Cananor, Calecute e Goa, e que tinha encontrado em Calecute, canela, pimenta e noz moscada, esta última vinda de fora.
Acrescentava que era possível ir aquelas cidades da Índia pelo golfo da Guiné, fazendo rumo à costa de Sofala onde tinha estado, ou a uma grande ilha que se dizia ter trezentas léguas de costa e a que os mouros chamavam Ilha da Lua. O fim da jornada a Sofala foi de saber se existia um caminho marítimo pelo Sul da África e não o de ir à procura das minas de ouro do interior.
No mapa de Fra Mauro vê-se  um cabo no Sul da África, em 1420, e navegara pelo Mar Ocidental. Mas o cabo em questão era provavelmente o Cabo das Correntes e o navio uma barca árabe que, dirigindo-se a Sofala, fora arrastada para além dele.
A Leste desse Cabo e separada do continente por um apertado estreito havia uma grande ilha onde Sofala estava localizada.
Pero da Covilhã pode rectificar este erro e chegou à convicção de que o caminho marítimo para a Índia era praticável. A sua jornada a Sofala, combinada com a viagem de Bartolomeu Dias, determinaram a expedição posterior de Vasco da Gama.
Alguns autores têm duvidado de que D. João II chegasse a receber a carta de Pero da Covilhã. Na primeira edição da sua história dos portugueses no Oriente, Castanheda diz que sim, mas na segunda edição diz o contrário.
Porém, se D. João II a recebesse, certamente teria feito segredo disso, e pode muito bem ser que mesmo a Garcia de Resende, seu íntimo amigo, nada tivesse contado, pois este cronista diz que a carta só chegou depois da morte de D. João II e da partida de Vasco da Gama.
A razão para pensar que o Rei chegou a receber a carta é que Vasco da Gama foi mandado directamente a Calecute e - diz João de Barros - levava, além das suas instruções, as notícias que D. João II recebera daqueles lugares e uma carta para o rei de Calecute.
Com toda a certeza foi a carta de Pero da Covilhã uma das fontes das instruções, embora outras existissem.
Pero da Covilhã levou Abraão a Ormuz e daqui se tornou este último para Portugal, depois de se ter instruído em tudo que o Rei desejava saber, ao passo que o primeiro seguia para Jeda e daqui para Meca, vestido de branco como um peregrino, com o cabelo rapado à navalha.
A visita ao lugar santo do islamismo era perigosa, não estava autorizada pelas instruções e só se pode atribuir ao amor das aventuras.
Ainda depois disto a sua curiosidade não ficou satisfeita, pois seguiu para Medina e, em seguida, para o Sinai, para o convento de Santa Catarina, onde, provavelmente, pela primeira vez em quatro anos, entrou numa igreja cristã e ouviu missa.
Em 1493, chegou finalmente à Abissínia e aqui terminaram as suas viagens; ou não o deixaram sair, ou, tendo casado e adquirido riquezas, não quis voltar a Portugal.
Foi o primeiro português que pisou o solo indiano e que viu o Preste João; pelo facto de residir durante mais de trinta anos na Abissínia, tornou-a conhecida da Europa como o não tinha sido até então, e preparou o caminho para a influência preponderante que Portugal ali desfrutou durante um século, graças aos seus embaixadores e aos seus soldados, e, mais do que a todos estes, aos missionários da Companhia de Jesus.
Se a Etiópia é ainda hoje um país cristão, deve-o à expedição de D. Cristóvão da Gama de 1541, pois, para citar a frase de Gibbon, " A Etiópia foi salva por quatrocentos e cinquenta portugueses"
(texto extraído de " descobrimentos portugueses " de Edgar Prestage...


Depois de haver El-rei mandado a Bartolomeu  Dias por mar, fez partir por terra um Religioso da Ordem de S. Francisco por nome Frei António de Lisboa, e a Pedro de Montarroyo, os quais partiram em companhia d'uns Religiosos Abexins, e por não saberem o Arabigo, se não atreveram a passar de Jerusalém; e considerando El-rei quão necessária coisa era a língua Arabiga, mandou a este negocio Pedro da Covilhã,  Cavaleiro da sua casa, que era homem que a sabia muito bem, e em sua companhia a Afonso de Paiva; os quais foram despachados em Santarém a 7 de Maio de 1487, sendo presente a este despacho D. Manuel, Duque de Beja.

Deu-lhes El-rei uma carta de marear, para que nela marcassem os lugares do senhorio do Preste, bem como o caminho por onde fossem. E para despesa da viagem, mandou-lhes dar da arca das despesas da horta d'Almeirim quatrocentos cruzados, para que tomando destes o que julgassem precisar, fosse o restante depositado no banco de Bartolomeu Florentino, recebendo eles uma carta de crédito para este os socorrer quando houvessem mister.
Partiram os nossos viajantes de Santarém com direcção a Barcelona, onde chegaram a 15 de Junho do dito ano, e daqui foram a Nápoles e à Ilha de Rhodes onde se achavam os Cavaleiros da Ordem de S. João de Jerusalém, mais vulgarmente conhecidos pelo nome de Malteses, em cuja religião não havia mais que dois Portugueses, que eram os Comendadores Frei Gonçalo Pimenta e Frei Fernão Gonçalves,  em casa dos quais pousaram; e dali como mercadores não só por ser esta a opinião de mais autores; como por assim o referir Gaspar Correia, que merece fé por ser um escritor contemporâneo de muitos factos, e haver militado na Índia, coisa que não fizeram outros escritores: e Barros de certo teve á vista algum documento em que se fundar. É preciso que declaremos, que havemos examinado com diligência, e cuidado os índices do Reinado de D, João II. e os posteriores que se acham no Real Arquivo; e não encontramos mercê alguma registada nem para Paiva, nem para Covilhã.
Passaram a Alexandria, e ao Cairo em companhia d'uns mouros de Fez e Tremecem; e vestidos como estes, penetraram em Toro ao pé do Monte Sinai na costa do Mar Roxo, donde demandaram, Quaquem na Abissínia, e depois a cidade de Adem na 'Arábia; e sabendo nesta, haver na Etiópia um grande Rei cristão, pareceu-lhes que este sem dúvida seria aquele que ElRei se denominava o Preste João; pelo que assentaram fazer caminho para ali.
 Porém, considerando que ele se chamava das Índias, e que a Etiópia não jazia na Índia, convencionaram, prosseguir.
 Afonso de Paiva neste caminho, e que Pedro da Covilhã voltasse á Índia, vindo em uma determinada época juntar-se no Cairo; e ali dariam mutuamente conta das novas que alcançassem; para que por este modo ficassem plenamente preenchidos os desejos d’el-rei ainda mesmo á custa dos maiores riscos e sacrifícios, pois em servi-lo punham o seu cuidado e obrigação: Não encontrou Covilhã, depois de ter corrido por Cananor, Calecut, Goa, Moçambique, Sofala, Quilôa, Mombaça, Melinde e Adem, novas do que buscava; pelo que foi pelo Mar Roxo á cidade do Cairo segundo o que havia ajustado, para dali voltarem ao reino a dar conta a El-rei do resultado de suas indagações e trabalhos. E sendo de volta soube que dois Judeus Portugueses andavam à sua procura, com os quais,  se viu muito secretamente; a um chamavam Rabi Habrão morador em Beja, e ao outro José sapateiro de Lamego. Este José que havia pouco tempo andara naquelas partes, sabendo o quanto D. João  desejava obter informações das coisas da Índia, veio dar-lhe conta de como estivera na cidade de Babilónia, ora Bagdad, do que ali ouvira àcerca do trato de Ormuz, cidade se d'Alepo como vinham e Damasco. as especiarias e riqueza da Índia  deu causa a que El-rei o mandasse e a Rabi Habrão, como já dissemos, à procura de Paiva e Covilhã, para lhe comunicarem estas novas e acompanhá-los a alguma destas cidades.
 Pelos Judeus veio Covilhã a saber que era morto Afonso de Paiva,  e querendo voltar a Portugal, eles lhe entregaram as cartas de El-rei nas quais lhe dizia, se tinham visto tudo aquilo a que os mandara,
voltassem a Portugal receber as mercês que lhes destinava; e se o não tivessem, se não viessem embora sem ir a Ormuz saber alguma certeza do Preste João, pois para os acompanharem lhes mandava Rabi Habrão e a José. Não podia deixar Covilhã de obedecer ao mandado de El-rei, e logo enviou a Portugal José com carta sua avisando-o da morte de Afonso de Paiva e referindo-lhe o que tinha sabido do Preste.
Em virtude das ordens recebidas voltou Covilhã a Adem, navegou para Ormuz, tornou a Meca donde foi ao Monte Sinai visitar a casa da Bem aventurada Santa Catarina,  saiu segunda vez para Toro, dali a Zeila, e fez caminho por terra para a corte do Imperador da Etiópia, Rei dos Abexins, o qual se chamava Alexandre; a quem entregou as cartas que da parte d’el-rei levava escritas em língua Arábica, do que ele teve muito contentamento, e o mandou tratar muito bem. *
Estando já Pedro da Covilhã despachado pelo Rei, veio este a falecer, e como não tivesse filhos sucedeu no império seu irmão por nome Naut que obstou ao nosso Embaixador sair do Reino; e após este reinou seu filho David, que também lhe negou a licença. Neste estado, sem poder voltar á sua Pátria, a dar conta da missão que lhe fora encarregada; sem que ao menos pudesse enviar algumas noticias suas, resignou-se á sorte, farto de trabalhos e diligências: e como não pudesse sair daquele reino, consta se casara e tivera filhos; e ainda era vivo quando em 1520 D. Rodrigo de Lima foi por Embaixador ao Preste João. Não param aqui as indagações àcerca da existência do Preste; de Roma vem mandado a Portugal um frade da terra deste, com o qual falara El-rei, e largamente se informa do Covilhã não consta, mesmo, depois da embaixada de D. Rodrigo de Lima em 1520 em que ainda vivia, voltasse ao reino seu senhorio, e como aquele religioso voltasse á sua terra, El-rei lhe entregou cartas para o seu Príncipe. Por esta época aporta a Lisboa Bartolomeu Dias de Novais, do seu grande descobrimento; e contando a El-rei até onde chegara e vira, mais crescem as esperanças de D. João, que firme no propósito de prosseguir os nossos descobrimentos, manda aparelhar novos vasos
Estendiam-se nesta época os descobrimentos dos Portugueses até o rio do Infante, isto é, mil oitocentas oitenta e cinco léguas pela costa, quando a morte veio cortar os dias d’el-rei D. João II, que, com quanto se houvesse mostrado digno sucessor de Afonso V, e legasse a coroa mais aumentada do que dele a recebera, contudo a sua esperança se não havia realizado; a Índia estava ainda por descobrir, e a veracidade da existência do Preste João ficava também um problema.
Bem triste acabaria o Príncipe Perfeito a vida, se uma acção grande e espantosa, que há-de sempre ocupar um dos mais distintos lugares, na história de Portugal, nas dos descobrimentos, e na da Geografia; acção que jamais deixará de ser sabida e admirada por todos os povos, lhe não viesse recompensar esta mágoa, rememorar o seu reinado, o seu nome e o do insigne navegador Bartolomeu Dias de Novais, o dobrador do Cabo da Boa Esperança. E a que maior glória aspiraria e Monarca? que maior galardão desejara aquele, que ao depor o ceptro que havia empunhado, indigita ao seu sucessor um grande futuro, e lhe pode dizer: —A ti compete seguir o exemplo dos nossos maiores, que eu também segui; a ti cabe acabar a obra que eu comecei.

Canto 4.° • Estâncias 61 a 65 dos Lusíadas Luís de Camões

Manda seus mensageiros, que passaram,
Espanha, França, Itália celebrada
E lá no ilustre porto se embarcaram,
Onde já foi Parténope enterrada:
Nápoles, onde os Fados se mostraram,
Fazendo-a a várias gentes subjugada,
Pola ilustrar, no fim de tantos anos,
Co senhorio de ínclítos Hispanos.

Polo mar alto Sículo navegam;
Vão-se às praias de Rodes arenosas;
E dali às ribeiras altas chegam,
Que com a morte de Magno são famosas. •
Vão a Mênfis, e às terras, que se regam •
Das enchentes Nilóticas undosas;
Sobem a Etiópia, sobre Egipto,
Que de Cristo lá guarda o santo rito.

Passam também as ondas Eritreias,
Que o povo de Israel sem nau  passou;
Ficam-lhe atrás as serras Nabateas,
Que o filho de Ismael co  nome ornou;
As costas odoríferas Sabeias,
Cercam, com toda a Arábia descoberta,
Feliz, deixando a Pétrea e a Deserta.
  
 Entram no Estreito Pérsico, onde dura
Da confusa Babel, inda a memória;
Ali co  Tigre o Eufrates se mistura,
Que as fontes onde nascem tem por glória;
Dali vão em demanda da água pura,
Que causa inda será de larga história.
Do Indo, pelas ondas do Oceano,
Onde não se atreveu passar Trajano.

Viram  gentes incógnitas e estranhas
Da Índia, de Carmânia, e Gedrosia
Vendo vários costumes varias manhas,
Que cada região produz e cria.
Mas de vias tão ásperas, tamanhas,
Tornar-se facilmente não podia.
Lá morreram, enfim, e lá ficaram,

Que à desejada pátria não tornaram.