quinta-feira, 30 de maio de 2013

" Brasil, descobrimento oficial" , a partida da frota de Pedro Álvares Cabral


( em construção)..... ( texto adaptado de Max Justo Guedes ) ...o descobrimento oficial do Brasil
itinerário de Lisboa a Porto Seguro, baía Cabrália, da frota de Pedro Álvares Cabral
A partida da frota de Pedro Álvares Cabral constituída por 13 embarcações (naus e caravelas), do rio Tejo, Lisboa deu-se a 09 de Março de 1500, uma Segunda Feira.
iluminura do livro "armada portuguesa, da frota Pedro Álvares Cabral
O rumo foi desfechado após a saída do rio Tejo.
Singraram a SSW, rumo usual para a travessia até às Canárias, trecho conhecido então, como de “las Yegguas” pelos pilotos espanhóis.
derrota de Pedro Álvares Cabral do rio Tejo, Lisboa ao Equador
Bom tempo e vento de feição permitiram que a distância de aproximadamente 700 milhas fosse percorrida em 5 dias, como andamento diário de 140 milhas, ou seja, a velocidade de 5,8 nós bastante razoável para a época.
É curioso lembrar que Colon em 1492, conhecido pelo nome falso de "Colombo", percorreu menor distância em seis dias, segundo Fernando Colon ou sete dias , de acordo com Las Casas, Vasco da Gama, em 1497, levou sete dias, Martin Afonso de Sousa, trinta anos depois, gastou um dia mais que Cabral e D. João de Castro, em 1538, sete dias.
No dia 14 de Março, Sábado, entre as oito e as nove horas da manhã, estava a frota entre as Canárias, mais perto da Gran Canária, como esclarece Caminha.
Nesse dia, a calmaria deteve a esquadra à vista das ilhas, a 3 ou 4 léguas da Gran Canária, única maneira de conciliar a realidade geográfica com a afirmação de Pero Vaz:  "aly andamos todo aquele dia em calma avista delas obra de três ou quatro léguas das Canárias" ou mesmo da Gran Canaria, Fuerteventura e Tenerife, que eram as ilhas à vista. Se achasse a 4 léguas da Gran Canaria, a esquadra estaria afastada mais de 10 léguas de Fuerteventura ou de Tenerife!
arquipélago das ilhas Canárias
Tendo a frota passado entre Tenerife e a Gran Canaria ou entre esta e Fuerteventura, não se possui elementos para o saber com segurança.
Trinta ou quarenta milhas após ultrapassada a extremidade Sul desta ilha o vento volta à direcção e intensidade normais - o alisado de Nordeste - a armada retomou seu andamento.
O rumo, como é natural, foi aberto para Oeste,  SW 1/4 S - Sudoeste um quarto a Sul - em demanda das ilhas de Cabo Verde, ou, mais precisamente de Santiago, conforme aconselhara Gama.
A 800 milhas que separam os dois arquipélagos foram cobertas em oito dias, com velocidade média de 4 nós folgados.
arquipélago das ilhas de Cabo Verde
O andamento foi bom,  Martim Afonso de Sousa demorou-se doze dias, em  Dezembro de 1530; Colon, mais feliz, levou somente seis dias- velocidade média,  de 6 nós-, por ocasião da sua terceira viagem,  D. João de Castro, oito dias.
Pero Escobar, um dos maiores pilotos portugueses da época,  tendo estado na Índia com Vasco da Gama, reconheceu, prontamente, a ilha de S. Nicolau, quando dela de acercou a frota às dez horas  "pouco mais ou menos ".
A rota que levavam levou a esquadra a passar no largo canal - 58 milhas aproximadamente -que separa S. Nicolau da ilha do Sal.
Sendo aquela uma ilha bastante elevada, pode ser avistada , com boa visibilidade, a mais de 70 milhas.
Fosse a rota mais aberta e S. Antão, com o seu tope da corroa alçando-se a 6493 pés -1980 m -  apareceu primeiro aos vigias da armada.
A rota  foi chegada à ilha de S. Nicolau,  Caminha não menciona o avistamento da ilha do Sal, com o seu monte Grande, de 1332 pés de altitude - 406 m - é visível a quem se aproxime a menos de 40 milhas.
A frota passou pela ilha de Boavista, sem a avistar, indo cruzar o canal que separa a ilha de Santiago da ilha do Fogo, esta última com um notável vulcão que se eleva a 9281 pés- 2829 m, foi visível durante alguns dias.
No Quarto d'Alva do dia seguinte, uma segunda feira, dia 23, foi notada a falta de uma das naus.
Caminha diz ter sido a de Vasco de Ataíde.
Dois dias se demorou a frota em infrutíferas buscas, ao cabo das quais Cabral, cingindo-se às instruções de Gama, iniciou o que Pero Vaz de Caminha chamou " o nosso caminho per este mar delongo.
regime das correntes marítimas na costa Leste Atlântica brasileira
Navegação com o alisado de Nordeste

As 600 milhas que separam o arquipélago de Cabo Verde até à latitude  5º  Norte e longitude de 24º 30' W- que marca o início das calmas equatoriais para Março- Abril,  foram cobertas com o alisado pela alheta de bombordo em cinco dias, com andamento médio de 5 nós.

Passagem pela região de calmas equatoriais

Tendo ultrapassado Cabo Verde,  na noite de 24 para 25, pois os dias 23 e 24 foram gastos na procura de Vasco Ataíde, cinco dias depois, entre 29 e 30 de Março, a frota estava em 5º de latitude Norte, entrando  na região das calmas equatoriais - doldrums, limite inferior do alisado de Nordeste.
Esta região, no início do mês de Abril ou fim de Março, estende-se por aproximadamente 3 3/4 graus, uma vez que o limite Norte médio do alisado de Sueste anda por 1 1/4 grau de latitude Norte.
Entrando  nas calmarias, a Corrente Equatorial Sul deslocou a frota cerca de 90 milhas para Oeste, - arrastamento médio de nove milhas diárias-  a velocidade passou a ser estimada em 1 nó. Com singraduras de 24 milhas, levou cerca de 10 dias para ultrapassar os doldrums,levando as embarcações a atingir a latitude 1 1/4 Norte e longitude 26º Oeste.
Navegação com o alisado de  Sueste

Atingida a latitude 1º 1/4 Norte, o alisado de Sueste  fez-se  sentir, pouco a pouco . É o vento escasso que obrigou a frota a lançar-se na volta do mar, dois dias depois cruzou o Equador, data próxima do dia 10 de Abril, entre as longitudes 27º e 28º a Oeste de Greenwich. Nessa altura, pelo efeito do rumo Sudoeste e da corrente que anda por 15 milhas diárias, deslocou a esquadra  1º 1/4 para Oeste.
Ultrapassado o Equador, o vento alargou-se e a rota fechou um pouco sobre o Sul ou Sul quarta a Sudoeste, corrigido da declinação magnética (cerca de quarta Leste ), foi de SSW, rumo  singrado até à latitude de Fernão de Noronha, deixada a sotavento, a 210 milhas - 70 léguas -, tendo em atenção o abatimento por força da Corrente Equatorial.
Pelas alturas do Cabo São Roque, a Corrente Equatorial  biforca-se  formando a Corrente Brasileira que corre paralelamente à costa, afastada de 120 a 150 milhas levou a frota a percorrer 600 milhas seguintes até à latitude 13º Sul  da actual cidade de S. Salvador, com um aumento da velocidade estimada em 1/2 nó, com abatimento de 0,2 a 0,3 nó para Oeste.
Por volta do dia 18 de Abril, associada à velocidade da superfície acrescida do deslocamento provocado pela corrente, em 5 nós   estaria a esquadra à latitude da actual Baía de Todos os Santos.
Seguindo rumo verdadeiro próximo de Sudoeste,  três dias depois de percorrer 300 milhas, próximo da latitude Porto Seguro, numa Terça-Feira das oitavas da Páscoa, dia 21 de Abril, viram os mareantes " ervas compridas aque chamã e asy outras aque tambem chamã rrabo dasno", os quais os sinais de terra se tornaram por demais evidentes.
derrota da frota de Pedro Álvares Cabral do Equador a Porto Seguro, baía Cabrália, Brasil
Nessa ocasião rumou Cabral a Oeste ou quarta de Nordeste, em demanda de terra, cobrindo  120 milhas em trinta e poucas horas com andamento cauteloso de 3 nós.
Em " aoras de bespera", isto é, passando das três horas da tarde, foi avistado de Sueste, um " monte muy alto e rredondo e doutras serras mais baixas ao Sul dele",  Monte  Pascoal, 536 m, situado a 18 milhas no interior da costa, a Oeste da actual Ponta Corumbau.
monte Pascoal e serras envolventes a Sul 
O monte pode ser avistado a 50 e mais milhas de distância, desta forma, a mais de 30 milhas da costa pode ser avistado pela armada.
ponta do Corumbau
Ao pôr do Sol do dia 22 de Abril, havendo avançado mais 12 milhas, fundeou a armada em 19 braças, ancoragem limpa, a 6 léguas da costa, ou seja umas 19 milhas, estava descoberto o Brasil, oficialmente.
 Fundeada permaneceu a frota até ao dia seguinte, Quinta Feira, 23 de Abril, quando se fez à vela em direcção à terra.
Como era usual, as caravelas colocaram-se na vanguarda, boas que eram para descobrir conforme se dizia então.
Sondagens cuidadosas permitiram aproximação segura até milha e meia da costa, meia légua, onde, cerca das dez horas, lançaram ferro em nove braças, próximo da foz do actual rio Frade.
foz do rio Frade
Á capitânia, vieram os comandantes, deliberando enviar a terra um batel, nele foi Nicolau Coelho, experimentado navegante que observaria o rio e os homens avistados de bordo.
rio Frade
Às oito horas da manhã de 24 de Abril,  Sexta Feira, suspendeu a frota na direcção do Norte, em busca de bom porto onde se pudesse abrigar, para refresco, aguada e embarque de lenha.
Caravelas e embarcações pequenas chegados à costa, as naus bem mais ao largo, para maior segurança da rota, com andamento cauteloso de 3 nós escassos.
derrota da frota de Pedro Álvares Cabral ao rio Frade e rumo à baía Cabrália, terras de Vera Cruz, Brasil 
Deste modo, a busca demorou-se até quase ao pôr do sol.
Acharam " huu arrecife com huu porto dentro muito boo e muito seguro com huua muy larga entrada". Este porto, logo recebeu o nome de Porto Seguro, foi muito tempo, identificado como a actual Baía Cabrália, em singela homenagem geográfica ao descobridor oficial do Brasil.
Porto Seguro e baía Cabrália 
Achado o porto que buscavam, meteram-se nele os barcos menores e amainaram. As naus, sempre dentro da margem de segurança estabelecida por hábeis mareantes, fundearam em onze braças, a uma légua do Recife da Coroa Vermelha.
 recife da Coroa Vermelha da baía Cabrália, Brasil
À praia foi um esquife, com o experiente Afonso Lopes ávido por reconhecer a terra e os habitantes.
Dois índios, são levados à capitânia, onde Caminha pode observá-los, fazendo saborosíssimo relato do facto ao Soberano.
 iluminura da baía Cabrália
Na manhã seguinte, Sábado dia 25 de Abril, as naus demandam a baía e vão fundear em cinco a seis braças, junto das embarcações pequenas.
Foram os portugueses a terra, Caminha entre eles, bem como os dois veteranos Coelho e Bartolomeu Dias.
Os locais auxiliam a fazer aguada no útil Mutári.
foz do rio Mutári
À tarde, Cabral e os demais capitães, saem nos respectivos batéis, a passear pela baía.
Desembarcam todos no Recife da Coroa Vermelha, onde folgaram durante uma hora.
baía Cabrália
No Domingo da Pascoela, voltaram todos ao recife, onde ouvem missa, rezada em altar improvisado sob um esperável. Segue-se novo passeio de barco, com os índios, em grande alvoroço, metidos na água e os portugueses tocando trompetas e gaitas até tornarem a bordo para comer. Após o almoço, os capitães são reunidos em conselho ao qual assiste Caminha.
baía Cabrália
Decide-se , então, enviar ao reino a caravela dos mantimentos, levando a notícia do descobrimento; resolve-se que na terra ficariam dois degredados e que nenhum índio seria levado a Portugal. Findo o conselho, vão todos examinar o rio e recrearem-se ; confraternizam portugueses e silvícolas, com Diogo Dias a dançar entre eles, ao som de gaita.
local da 1ª missa em terras de Vera Cruz, Brasil
Segunda Feira, 27 de Abril, novamente vão os lusos fazer aguada, misturando-se  com os naturais, agora menos esquivos. Neste dia Mestre João, Afonso Lopes, piloto de Cabral e Pero Escobar, piloto de Tovar, tomam a altura da passagem meridiana do Sol, avaliando a latitude local 17º Sul próximo do real ( 16º 20' latitude Sul ).
A mando de Cabral, Diogo Dias e três degredados visitam, uma taba indígena. Foi iniciado o sistema de trocas que se tornou usual entre europeus e índios.
 rio Mutári
Terça Feira, dedicou-se a guarnição a cortar lenha e lavar roupa.. Iniciou-se a construção de uma cruz, utilizado uma árvore cortada na véspera. Dias e dois degredados voltam à aldeia indígena, com ordens de ali pernoitarem, o qual não lhes foi consentido.
pôr do Sol em Porto Seguro
Quarta Feira, cuidou Cabral de transferir a carga da caravela dos mantimentos, distribuída pelas as demais embarcações.
Sancho Tovar foi a terra e permitiu que dois naturais o acompanhem de volta. Comem e dormem a bordo da Nau.
 Quinta Feira, 30 de Abril, voltou a guarnição a cortar lenha e fazer aguada. Os índios auxiliam na faina. Neste dia, o número deles foi elevado: quatrocentos e cinquenta.
À noite, a guarnição ao regressar a bordo, leva com eles quatro naturais, sendo dois para a nau de Cabral, um para a de Aires Gomes da Silva e outro para a caravela de Simão de Miranda.
Sexta Feira, 1 de Maio, último dia relatado por Caminha, foram todos a terra com bandeira de Cristo, desembarcando acima do rio, contra o Sul, local onde foi erguida a cruz. Cabral e os seus homens passaram o rio a buscá-la, o lenho ficou junto à floresta donde fora cortada a árvore para a sua confecção.
Voltaram em procissão, os religiosos à frente, entoando cânticos. Os índios auxiliaram o transporte da pesada cruz.
marco histórico de pedra em Porto Seguro
Passado o rio, junto à foz, é levada à cova preparada na praia, cerca de trezentos metros ( dois tiros de besta, além da embocadura do Mutari. A cruz levava as armas e a divisa de D. Manuel, conforme conta Caminha.
foz do rio Mutári
Erguida, armou-se altar junto dela, oficiando Frei Henrique. Versou a pregação sobre os apóstolos. e sua missão. às treze horas, finda a cerimónia, recolheram todos às naus para almoçar.
No dia seguinte, partiu a armada rumo do Cabo da Boa Esperança. Para Norte seguiu  a caravela dos mantimentos, que sob o comando de Gaspar de Lemos, levava cartas de Cabral, capitães principais, Caminha e Mestre João.
A frota de Cabral, reduzida a onze embarcações, enfrentou fortíssimo tempo, afundou-se subitamente quatro delas, tresmalhando as demais, que irão juntar-se em Quiloa, à excepção da nau de Diogo Dias, o qual só se encontrariam, no regresso a Cabo Verde.     
baía Cabrália vista do istmo do recife da Coroa Vermelha
Com seis velas, atingiu Pedro Álvares Cabral a Índia - Calicut em Setembro de 1500.
Bem recebido a princípio, surgem depois desentendimentos com os mercadores mouros, senhores do comércio local, e mesmo com o Samorim, interessado em protegê-los.
Finalmente, o porto foi bombardeado, em retaliação à traição que vitimou portugueses.
Carregando especiarias e estabelecendo bons contactos em Cochim e Cananor, pode Cabral iniciar a torna- viagem, a 16 de Janeiro de 1501.
Ainda perderia a grande Nau de Sancho de Tovar.
Aos 23 de Junho, entrava no Tejo a Anunciada, seguindo de perto por Cabral e Pero Ataíde e a seguir por Nicolau Coelho, Tovar e Diogo Dias.
Terminava uma viagem que, parecendo momentaneamente desastrosa em face das elevadas perdas sofridas, transformar-se-ia no grande feito náutico da gente lusa, origem que foi duma das maiores e mais ricas nações, testemunha permanente do incomparável papel civilizador  do pequeno mas grande Portugal!
iluminura da nau de Pedro Álvares Cabral com índios a bordo
Fonte:

A partida da armada de Pedro Álvares Cabral

A armada de Pedro Álvares Cabral foi a segunda frota enviada pelo rei D. Manuel à Índia, e foi preparada logo após o regresso de Vasco da Gama. Desta vez, tratava-se de uma poderosa força naval, constituída por 13 navios e mais de um milhar de homens, com a missão de confirmar as informações, os contactos e os acordos com o rei de Calecute, feitos na viagem anterior.
A dimensão da armada destinava-se, naturalmente, a exibir uma clara posição de força, embora ainda se pensasse que a Índia era povoada por cristãos e que o próprio rei de Calecute era também cristão. As ordens do rei estipulavam detalhadamente os procedimentos que Pedro Álvares Cabral deveria seguir e as cautelas que deveria ter, de forma a evitar os contratempos que Vasco da Gama tinha enfrentado.
A armada partiu de Lisboa a 9 de Março e passou as Canárias e Cabo Verde no espaço de poucos dias. Ao afastar-se da costa africana e depois de passar o equador, a armada deparou com sinais de terra, que se confirmaram a 22 de Abril, quando atingiu a costa brasileira.

Foi um acaso, esta chegada ao Brasil?

No caso desta armada, temos todas as razões para crer que sim. Há suspeitas de que esta terra já tinha sido avistada ou tocada por navios portugueses, em anos anteriores, mas nada de seguro se sabe. O caso mais conhecido é o de Duarte Pacheco Pereira, que menciona no seu trabalho ter chegado ao Brasil em 1498.
Há também o célebre caso da linha do Tratado de Tordesilhas, que o rei D. João II exigiu que fosse traçada mais para oeste do que tinha sido inicialmente proposto pelos castelhanos, e que indicia o conhecimento ou a suspeita da existência de terra naquelas paragens. Mas em qualquer dos casos, trata-se apenas de suposições pouco sólidas.
Só na viagem de Cabral é que a existência do Brasil foi devidamente assinalada e registada, e de tal maneira constituiu uma surpresa que o capitão mandou um dos navios de regresso a Lisboa, para informar o rei do achado da nova terra.

Como correu o resto da viagem?

O resto da armada retomou o curso da viagem, após esta pausa de cerca de duas semanas. Atravessou o Atlântico rumo ao Cabo da Boa Esperança, mas uma tempestade fez naufragar vários navios, entre eles a caravela comandada por Bartolomeu Dias, precisamente o primeiro europeu a passar o Cabo, doze anos antes.
A armada que chegou finalmente a Calecut estava, portanto, substancialmente enfraquecida. Na Índia, Pedro Álvares Cabral tomou conhecimento de uma realidade amarga: a terra não eram povoada por cristãos, como Vasco da Gama tinha sido induzido, mas sim por gentios, e o comércio marítimo era dominado por muçulmanos, naturalmente hostis aos portugueses.
Estava, portanto, aberto o caminho para as hostilidades e para o confronto militar, que ocorreram por diversas vezes antes do regresso da armada a Portugal e que veio a marcar o quotidiano da presença portuguesa na Índia nos anos seguintes.

.............................

........................................................

Sem comentários:

Enviar um comentário