terça-feira, 23 de setembro de 2014

"mapas, cartas , portunalos de África, América, Ásia e Oceania - evolução"


  em actualização....
1424, carta náutica de Zuane Pizzigano

Os portugueses descobriram a costa americana as verdadeiras “Antilhas”. Reconheceram  sucessivamente as ilhas “Saya”, península Avelon; “Satanazes”, Terra Nova; “Antília”, Nova Escócia; “Ymana”, ilha Príncipe Eduardo, como pode ser comprovado pela Carta Náutica de 1424, onde estão gravadas nitidamente a data de 22 de Agosto de 1424 e o nome do seu autor, Zuane Pizzigano, um cartógrafo italiano de Veneza. Apesar do mapa ter sido feito por um italiano, os nomes das quatro ilhas – Antília, Satanazes, Soya e Ymana – estão escritas em português a testemunhar a ida e volta de navegadores portugueses a terras da América do Norte, antes de 1424! Esta descoberta das verdadeiras Antilhas deve-se ao Dr. Manuel Luciano da Silva!
1439 portulano, Grabriel de Valseca

1459, mapa mundi de Fra Mauro
Quem foi Fra Mauro?!
Foi monge dos Camaldulenses em Veneza, no Mosteiro de S. Michele de Murano. Aí desenvolveu o seu trabalho de cartógrafo (temos notícia de em 1443 estar a elaborar um mapa da Istria), chegando mesmo a deixar discípulos importantes, como é o caso de Andrea Bianco.
É comumente considerado o melhor cartógrafo erudito medieval, pode-se dizer que apenas se encontra num estádio de maior avanço técnico e científico de muitos anteriores. A sua obra situar-se-á assim num momento de transição entre a Idade Média e a cartografia do Renascimento.
A cartografia medieval, de um modo geral até ao século XIV, era basicamente esquemática e simbólica, sendo os seus mapas conhecidos por T–O, pois o mundo era apresentado por um círculo, em que no seu interior o T, formado por três rios, divide a Ásia, ao cimo, a Europa e a África, em baixo. Jerusalém situava-se quase sempre no centro.
Este tipo de esquema vai-se tornando cada vez mais complexo e começa a surgir o Mediterrâneo mais ou menos correctamente representado, assim como as informações e legendas de carácter económico ou social se vão multiplicando pelos vários continentes representados.
Ora, o planisfério de Fra Mauro é profícuo em tais características, o que leva a considerar que o seu autor represente o culminar deste tipo de cartografia, como já dissemos.
O Planisfério de Fra Mauro, terminado em 1459, foi uma encomenda do Rei de Portugal, D. Afonso V.
Sobre o seu pagamento há alguns documentos na Torre do Tombo e no Arquivo de Murano. Em Lisboa existe uma carta de quitação (Chancelaria de D. Afonso V, Lv. 1, fl.2) onde está inscrita a verba de 30 ducados para pagar aos pintores do mapa de Veneza.
Em Murano aparecem 3 assentamentos relativos a pagamentos. Um de 28 ducados, de 8-II-1457, e outros dois de 1459 (17 de Março e 24 de Abril), um refere 2 ducados, e o outro afirma que o mapa está pronto.
Veja-se agora as principais características de tão famoso mapa-mundo. As suas dimensões são bastante grandes, com 196 cm de diâmetro, ainda o podemos considerar um T-O, com a forma circular e um oceano a toda a volta, invulgarmente está orientado para Sul, ou seja o topo do mapa corresponde ao Sul, ou ao fim de África, o que David Woodward considera ser influência árabe.
Relativamente ao centro temos o Mediterrâneo que está mais ou menos correcto, o que se deverá à influência dos portulanos e das informações de Ptolomeu.
Os desenhos da Ásia, embora incorrectos, aparecendo bastante maior do que na realidade (outro dado de Ptolomeu), têm importantes legendas e informações de carácter comercial.
Estas devem-se aos escritos de Marco Polo, que influenciam bastante o cartógrafo. Assim, aparecem referenciados o Cataio, o Cipango e a Insulíndia descrita por Polo. Na China aparecem os vários «reinos» e indicações acerca da Rota da Seda.
Outra zona a que Fra Mauro atribui bastante importância é a da costa oriental de África, o Índico em geral, embora a Índia esteja bastante mal representada.
Isto deve-se às fontes que utilizou, as informações dos comerciantes e viajantes árabes. Assim, interessa-se bastante pelo comércio e navegação dos muçulmanos até Sofala. Será este conjunto de informações que o levará a pensar que o Índico não é um mar fechado, é por isso que representa a África, a Sul, desligada de qualquer continente.
Ora, tal facto é bastante importante, pois como o mapa se destinou a Portugal, será bem provável que a ele se tenha devido o plano de atingir a Índia das especiarias através da Costa Ocidental Africana, não apenas o reino de Preste João.
Outro dado importante deste Planisfério é a referência às viagens portuguesas, principalmente ao Golfo da Guiné.
Diz que a exploração daquela zona se deve ao Rei de Portugal, que recebeu cópias de cartas portuguesas com as novas informações geográficas. Tais dados levam Fra Mauro a afirmar, ao contrário de Ptolomeu e outros autores que a navegação e sobrevivência nas zonas tórridas era possível.
Assim se verifica a importância deste Planisfério, pois mostra aspectos da cartografia medieval tradicional, que tenta conjugar com os novos dados da observação das viagens que os portugueses e outros iam fazendo.
Biografia: Introdução à História dos Descobrimentos Portugueses, 4ª Ed., Mem Martins, Europa-América, [s.d.]. CORTESÃO, Armando, Cartografia e Cartógrafos Portugueses dos séculos XV e XVI. (Contribuição para um estudo completo), vol.1, Lisboa, Seara Nova, 1935. IDEM, História da Cartografia Portuguesa, 2 vols., Lisboa, Coimbra, Junta de Investigações do Ultramar/ 1969-1970. GONÇALVES, Júlio, Motivos Portugueses no Planisfério de Fra-Mauro, Lisboa, Aca-demia das Ciências, 1961. NORDENSKIÖLD, A. E., Periplus. An Essay on the Early History of Charts and Saling-directions, Estocolmo, P. A. Norstodt & Söner, 1897. WOODWARD, David, HARLEY, J. B., The history of Cartography. Volume One. Cartography in Prehistoric Ancient and Medieval Europe and the Mediterranean, Chicago/Londres, The University of Chicago Press, 1987.
1462, portulano de Piero Roselli
1467, portulano de Grazioso Benincasa
1471 -carta náutica anónima portuguêsa de "Circa"
Uma carta náutica portuguesa anónima de Circa 1471 .  Está guardada, ·com mais três, num estojo circular de cartão, na Biblioteca Estense, de Modena. As quatro Cartas, com várias outras. pertenciam ao fundo de Cartas geográficas do Palácio Ducal .de Modena, donde foram subtraídas em 1859, no momento da passagem da antiga à nova ordem de coisas. Recuperou~as o Dr. Giuseppe Boni, que ·em 1870 as doou à Biblioteca Estense . Está desenhada em pergaminho, muito bem iluminada; posteriormente foi montada, com as pontas -dobradas sobre a face superior. A Carta portuguesa mede 752 X 650 mm., ·e representa a costa atlântica da Europa e da África ocidental. desde a Normandia (França) ao Rio do Lago (Golfo da Guiné), com os Açores, a Madeira, as Canárias e as Ilhas de Cabo Verde, e ainda uma grande parte do Atlântico Norte oriental. Entre E. e ESE. da Bretanha tem a Carta -desenhada a Ilha Donayda, que representa uma das Ilhas Legendárias, místicas, do Atlântico Norte ( sobre estas ilhas ver a nota 19) . .
2 - O Atlântico está absolutamente limpo de desenhos, que possam impedir o seu rápido emprego para a navegação; e nos -continentes não se vêem os de ani~ mais ·e outros, que se admiram em muitas Cartas quinhentistas, nem tão pouco qualquer designação toponímica. As costas estão bem providas de toponímia genuinamente portuguesa, a ·qual se estende igualmente às ilhas atlânticas, além ·disso, as 'costas mediterrânicas terminam no Sul da Espanha e no Cabo das Três Forcas (Marrocos). A letra da nomenclatura é do tipo cursivo das ·escritas portuguesas do século XV. De maneira que não pode existir a menor dúvida quanto a Carta náutica, destinada à navegação nacional para Marrocos, e para as costas africanas e ilhas atlânticas pelos nossos já então descobertas: aquelas costas vão do Bojador ao Rio do Lago, estas ilhas compreendem as dos Arquipélagos dos Açores, da Madeira e de Cabo Verde. Esta Carta náutica é pois portuguesa, tendo sido desenhada ·por um cartógrafo anónimo. É de aceitar que seja cópia da Carta padrão de el-rei dos armazéns da Casa da África, de Lisboa. Quanto ao ano da sua feitura inclino-me para circa 1471, ano este ,em que foi descoberto o Rio do Lago, termino da nomenclatura da sua costa africana; desta forma a Carta, na frase feliz de Almagià: «é sincrona dos Descobrimentos portugueses». 3 - Rumagem. - O ,centro de construção ·da Carta é no encontro .do meridiano de Faro com o paralelo da Gran Canaria. Fica este ponto no interior da África e marca-o uma artística rosa-dos-ventos, muito bem iluminada. É ele igualmente o ,centro da rumagem da Carta, o qual está circundado por dezasseis rosas- -dos-ventos secundárias, seis das quais são também artisticamente iluminadas. As sete rosas iluminadas tem ao Norte a tradicional «flor de liz». Devo notar que uma das secundárias, a mais meridional, tem a Weste mais outra «flor de liz» para o que não encontro qualquer explicação: seria engano do cartógrafo? O sistema de rumagem vem das Cartas mediterrânicas: mas o emprego .das 32 linhas dos rumos, correspondendo às 32 quartas da agulha, deve-se aos portugueses, que o iniciaram, conjunta ou seguidamente a ·terem principiado a bordo a prática das observações astronómicas para a determinação da altura do pólo (latitude). 4-Escalas. - Não tem a Carta qualquer escala de latitudes ou de longitudes. Não tem traçado o ,Equador, o que não admira porque o seu limite inferior o não atinge, nem tão pouco o trópico de Câncer. Ignoro o que possam significar um paralelo, que está traçado ao Sul do Cabo das Palmas, e um pedaço dum meridiano, que quase margina a parte inferior direita da Carta . . ':f em aos cantos .da esquerda duas escalas das léguas ( 3 ), colocadas na direcção dos meridianos, com doze grandes divisões- troncos das léguas - a de cima ·e quinze a debaixo; ambas são coloridas ,e estão deformadas por motivo do encarquilhamento do pergaminho. Alguns dos troncos das léguas contêm ainda subdivisões cada um. O comprimento de cada tronco é em média de 1 O 7/1 O mm. O trópico de Câncer não está traçado, como disse, mas passa na Angra dos Cavalos, 24o N. (arr-arredondamento de 23o 33' N.), ao Sul do Bojador-segundo Pacheco Pereira (4 )-a latitude do Cabo das Palmas é 4° N. (Pacheco Pereira); à diferença de 20°, entre estas latitudes, correspondem na Carta 310 mm. ou 29 troncos das léguas. Não pode admitir-se que o grau fosse de 16 2/3 léguas- que os portugueses -10- usé1ram quando iniciaram no mar a prática da determinação da ·latitude pelo Norte (Polar) e pelo Sol - porque então aos 20 graus de diferença de latitudes corresponderiam 333 1/ 3 i éguas, e ao tronco 11 1/ 2 léguas ( 333 1/3 : 29), dimensão abstusa, como o dr. Duarte Leite já concluíra para a Carta de Cantino ( 5 ). De forma que o grau era já de 17 1/2 léguas: correspondendo os 20 graus a 350 léguas, o ·tronco a 12 léguas, e a subdivisão a 2 2/5 léguas. Como a Carta de Cantino ·emprega o mesmo tronco de 12 léguas, e ambas as Cartas foram ·copiadas das Cartas padrões de el~rei, segue~se que o tronco de 12 léguas devia ser o oficial quando as ·duas Cartas foram confeccionadas. Como 20°, cerca de 2222 quilómetros, estão representados na Carta náutica por 310 mm., a ·escala é muito aproximadamente ·de 1:7.500.000. 5 -Bandeiras. - Nove bandeiras iluminadas ornam a Carta: duas portuguesas, uma bretã e seis diversas. As portuguesas estão colocadas em África: uma na Ilha de Arguim, onde já existia uma fortaleza feitoria, ·e outra no local de A Mina do Ouro, local em que se estabelecera o resgate do ouro pouco antes da Carta ser desenhada. A bretã está situada na Bretanha, então ducado independente. As outras seis, todas colocadas em África, devem pertencer a chefes indígenas locais. 6-Igrejas.- O ignorado cartógrafo desenhou três igrejas na sua Carta. A primeira na Bretanha, sendo possível que simbolize qualquer importante igreja ·do ducado. A segunda, em frente de Lisboa, representa a Sé da Capital. A terceira, em terra de Marrocos, deve indicar a da Santa Maria de África, de Ceuta. 
Só raríssimas Cartas fixam alguns nomes, muito poucos, de descobridores, seus descobrimentos e até os respectivos anos em que os efectuaram. A Carta náutica, existente em Modena, não pertence a ·essas raríssimas Cartas, mas é ela a melhor Fonte portuguesa para a denominação, localização e sua consequente identificação dos Descobrimentos marítimos da costa africana, com D. Henrique -até 13 de Novembro de 1460- do Bojador à Serra Leoa; e com D. Afonso V -até 1471- da Serra Leoa ao Rio do Lago.  Poucas são as Fontes coevas para o estudo dos Descobrimentos marítimos até 1471.
1484,  Pedro Reinel 
Na corte dos reis D. João II e D. Manuel I de Portugal, ponto de encontro de gentes de todas as raças e proveniências, os escravos negros da Senegâmbia e Guiné, baptizados, instruídos e casados com criadas mestiças ou até brancas, formavam uma elite, em que os mais aptos poderiam especializar-se em variados ofícios, de criados da alta nobreza a músicos e artistas. De 1470-80 até c.1540, distinguiu-se um grupo de habilíssimos entalhadores de marfim da Serra Leoa, criadores da arte híbrida chamada “afro-portuguesa” - primeiro exemplo duma arte colonial de origem europeia desde os Fenícios e Romanos... Pela sua inteligência no desenho e alta capacidade técnica, os filhos recebiam educação na escola do Paço, eram libertos e podiam seguir uma profissão liberal. Deve ter sido esse o caso de Pedro Reinel, ou “reinol” (i.e, já nascido no Reino), e seu filho Jorge, formados nas Matemáticas e Cosmografia, que viriam a tornar-se os fundadores e melhores representantes da “escola” de Cartografia manuelina. A esses dois negros oriundos da Pedro e Jorge Reinel (at.1504-60) Terra Brasilis (Nova Série), 4 | 2015 12 Serra Leoa devemos a primeira representação detalhada e realista do litoral do Brasil, e uma imagem mítica do seu interior.
1489, portulano Albino  Canepa  
 1489,  portulano Cristóvão Colon, Salvador Fernandes Zarco
 1485, portulano do cartógrafo veneziano “Cristóforo Soligo constitui o primeiro documento cartográfico do Cabo de Stª. Catarina 2º latitude Sul, Gabão, à Ponta Redonda do Farol do Giraúl 15º 8' latitude Sul, baía de Moçâmedes, Namibe em  Angola. Zona explorada pela guarnição do navegador Diogo Cão durante a primeira viagem de exploração marítima, 1482 -1484, ao longo da costa ocidental africana, existente no British Museum, 


1489, mapa mundi Henricus Germanus Martellus 
Martellus Germanus, Henricus
Sobre este cartógrafo pouco se sabe, dada a escassez de dados biográficos existentes sobre o mesmo. Sabe-se ser de nacionalidade alemã, o seu nome latinizado acrescentava o aposto “germanus”. Henricus Martellus Germanus operou em Itália, na cidade de Florença, no último quartel do século XV, na oficina do gravador e impressor de cartas náuticas, Francesco Rosselli.
Alguns autores, entre os quais Roberto Almagià, admitem que Martellus tenha trabalhado em associação com Rosselli, concluindo aquele estudioso italiano que uma parte da obra cartográfica de Martellus Germanus se radica na obra de Rosselli, não obstante Armando Cortesão admitir que “apenas se pode conjecturar” a eventual associação entre os dois cartógrafos.
De importância fundamental para a história da cartografia quatrocentista, avulta o planisfério de raíz ptolomaica, da autoria de Henricus Martellus, datado de c. 1489, inserido no Insularium Ilustratum Henrici Martelli Germani, de que se conhecem quatro cópias:
no British Museum, na Biblioteca da Universidade de Leiden,
no Musée Condé de Chantilly, e
na Biblioteca Laurenziana de Florença.
A raiz ptolemaica na obra deste cartógrafo foi observada por O. A. W. Dilke a propósito do grande mapa-múndi manuscrito, datado de c. 1490, com assinatura “Opus Henricus Martellus Germanus”, que se guarda na Biblioteca da Universidade de Yale, divulgado em 1963 por Alexandre Vietor.
Dilke deduz que o cartógrafo, ao utilizar a Segunda Projecção de Ptolomeu na execução desta carta, foi “aparentemente a primeira pessoa que optou por este procedimento”.
Na carta de Martellus, de c. 1489, encontram-se registados os resultados da segunda viagem de Diogo Cão, quando este navegador, em 1486, erigiu o seu quarto padrão em “c. de padrom”, actual Cape Cross, Namíbia e chegou a “serra parda”, bem como as consequências da viagem de Bartolomeu Dias de 1487-88, no decorrer da qual descobriu a costa africana para além do término da última viagem de Diogo Cão, dobrou o Cabo da Boa Esperança e, tendo passado pela “ilha de fonti”, aportou a “rio do Infante” em pleno Oceano  Índico.
Neste planisfério, as viagens efectuadas pelos dois navegadores portugueses são evocadas por três legendas.
Na legenda inscrita sobre o Golfo da Guiné, diz-se: “Hec est Uera forma moderna affrice secundum discripcione Portugalesium Jnter mare Mediterraneum et oceanum meridionalem”.
Esta legenda é bastante elucidativa da moderna configuração do continente africano, entre o Mediterrâneo e o Índico.
Uma segunda legenda elucida-nos sobre a colocação do referido quarto padrão no Cabo do mesmo nome, quando da última viagem de Diogo Cão, e refere: “Ad hunc usq; montem qui vocatur niger per venit classis secundi regis portugalie cuia classis perfectus erat diegus canus qui in memoriam rei erexit colunam marmorea cum crucis ab mõte nigro et hic moritur”.
A terceira e última inscrição, diz respeito à dobragem do Cabo e à chegada de Bartolomeu Dias à “ilha de fonte” e observa a data de 1489, portanto, imediatamente a seguir à viagem deste navegador.
Reza a legenda: “ Hunq usq ad Ilha de fonti pervent ultima navegatio portugalesium. anno. d. ni. 1489,
O monumento cartográfico da autoria de Henricus Martellus inscreve-se num grupo de cartas vulgarmente designadas por “luso-ptolemaicos”, que procuram conciliar uma cartografia de natureza prática, que tem por base a observação directa dos lugares e uma cartografia de raiz erudita e humanística, que ainda prevalecia nas oficinas dos cartógrafos onde Ptolomeu era modelo a observar.

O facto de Martellus Germanus ter elaborado o seu mapa-múndi a partir de originais portugueses desaparecidos, realça o seu excepcional valor, dada a escassez de monumentos cartográficos portugueses executados no século XV. Dada a abundante presença de estrangeiros na corte de Lisboa, interessados no comércio das nossas espécies cartográficas, o pretenso cuidado dos monarcas portugueses teve limitados ou nulos efeitos. Segundo Armando Cortesão, baseado em estudos de H. Winter e E. G. Ravenstein, Martim Behaim ter-se-á inspirado no mapa de Martellus na construção do seu Globo. “A Cartografia Portuguesa dos Séculos XV e XVI”, in História e Desenvolvimento da Ciência em Portugal, vol. II, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1986, pp. 1061-1084. CORTESÃO, Armando, Cartografia e Cartógrafos Portugueses dos Séculos XV e XVI, Lisboa, Seara Nova, 1935. IDEM, História da Cartografia Portuguesa, vol. II, Lisboa, 1970, pp. 204-209. GUERREIRO, Inácio, “A viagem de Bartolomeu Dias e os seus reflexos na Cartografia Europeia Coeva,”, in A Viagem de Bartolomeu Dias e a Problemática dos Descobrimentos, Actas do Seminário realizado em Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, de 2 a 7 de Maio de 1988, pp. 133-143.
1492,globo terrestre de Martim Beahim
Martinho da Boémia
Comerciante alemão e cartógrafo, Martim Behaim ou Matinho da Boémia, como lhe chamam nos textos portugueses da época, nasceu em 1459, em Nuremberga, Alemanha.
Em 1484, Martim Behaim estabeleceu-se em Portugal, tendo nesse mesmo ano participado na segunda viagem do navegador Diogo Cão que, investido na qualidade de embaixador do reino de Portugal e de D. João II, tinha como objectivo descobrir o caminho marítimo para o Índico, através da costa africana.
Em 1490, Behaim regressa a Nuremberga onde, com a experiência entretanto adquirida, começa a trabalhar na construção de um globo terrestre, designado pelo próprio de «Erdapfel». Na época e mesmo antes, não havia conhecimento da existência de qualquer mapa cartográfico em forma de globo. Em 1261, Giovanni Campano, notável matemático italiano, escreveu um tratado - Tractus de Sphera Solida - onde descreve o processo de manufactura de globos de madeira ou de metal. Toscanelli, na sua Carta de Navegação de 1474, refere ao globo como a melhor forma de prever a distância entre o continente europeu e a Ásia. Igualmente, Cristóvão Colombo tinha o globo terrestre como um dos símbolos nas suas embarcações.
Em 1492, no mesmo ano em que Colon descobre o caminho marítimo para as Américas, Martinho da Boémia termina a construção do globo terrestre. Utilizando os conhecimentos adquiridos em Lisboa, inspirou-se no mapa de Martellus Germanus de 1489 para construir o globo. Defende a ideia de alcançar a Ásia pelo Ocidente, ignorando portanto a existência do continente americano. A distância do Faial a Cipango (Japão) seria mais ou menos a mesma do que a do Faial a Lisboa. Esta ilha, aliás, figura como a Nova Flandres. O globo de Behaim representa, assim, a transição entre o conhecimento cartográfico antigo e o moderno, ou seja, a visão tradicional é parcialmente substituída pelo conhecimento empírico dos portugueses.
Atualmente, o globo terrestre encontra-se no Museu Nacional de Nuremberga, na Alemanha, daí ser também designado de Globo de Nuremberga e tem cerca de 51 centímetros de diâmetro, sendo a sua estrutura recoberta por gomos de papel pintados a tempera por Georg Glockendon, o «Velho».
Martinho da Boémia morreu em 1507.
1492, de Jorge Aguiar 
A carta portuguesa mais antiga que se conhece assinada e datada está arquivada na Yale University, em New Haven (EUA) é de 1492 e o seu autor é Jorge de Aguiar, piloto e mais tarde Capitão de naus das Índias no final do século XV e princípio do século XVI.
O chamado "Planisfério dito de Cantino" de 1502, é um dos mais antigos mapas da era dos descobrimentos.
É uma cópia do "padrão real" e foi desenhado por um cartógrafo Português, da casa da Guiné e da Mina(mais tarde Casa da Índia) em 1502. Demonstra o elevado grau científico com que os portugueses trabalhavam durante os descobrimentos. Foi obtido clandestinamente por um espião chamado Alberto Cantino.
Esta personagem pagou 12 ducados de ouro ao cartógrafo e enviou-o para Itália, para Hércules d' Este, Duque de Ferrara.
É o primeiro mapa que apresenta a costa do Brasil a costa da América do Norte com a Flórida, a Gronelândia e a Terra Nova, Madagáscar, Índia, Malásia e Golfo da Tailândia.
Foi a primeira vez que estão representadas num mapa as linhas do Equador e do tratado de Tordesilhas. A África está espantosamente bem desenhada, tendo em conta que só tinha sido circum-navegada por três vezes (mas a última armada - a de João da Nova- ainda não tinha regressado a Lisboa). No entanto a Europa, em relação à África, não está desenhada correctamente, está mais curta.
Deve-se ao facto de, na altura, se utilizarem medidas comprimento diferentes:
Na Europa  cada grau era medido duma maneira e na África foi utilizada outra medida.
No séc. XVI as escalas eram de 18 léguas por grau ou de 20 por grau.
Na escala de 18 cada légua media 6173 metros (cada grau eram 111.114 metros).
Na escala de 20 cada légua media 5.555 metros( cada grau media 111.100 metros)
O mapa está desenhado em três escalas diferentes das que eram habituais; 18,5 ; 22,5 ; e 24.
Apresenta ainda outros enigmas que são falados nas fotos de pormenor.
O mapa encontra-se na biblioteca Estense, em Modena, Itália.  
  
1502, mapa anónimo dito de Cantino 
 1504 Pedro Reinel 
Fonte:
A carta de marear de 1504 de Pedro Reinel (arquivada na Bayerische Staatsbibliothek, Munique), famoso cartógrafo português, é a carta mais antiga conhecida por ter uma escala de latitudes. Na realidade a carta apresenta duas escalas de latitude, sendo uma desenhada ao largo da Terra Nova e orientada obliquamente. A escala oblíqua apresenta um ângulo de 22º 30’ em relação ao Norte, valor muito aproximado daquele que se estima quer seria o valor da declinação magnética (15º W a 25º W, de acordo com diversos modelos) naquela zona em meados de 1500.
Supomos que o ângulo da escala de latitudes resulta indirectamente da adaptação da escala de latitudes aos territórios já previamente desenhados e não da imposição prévia de um ângulo (duas quartas) no desenho da própria escala. Na realidade Pedro Reinel adaptou a uma carta já existente uma primeira escala de latitudes. Tinha boas referências para a construir, as latitudes das várias ilhas do Arquipélago dos Açores, o mesmo em relação a Cabo-Verde, Canárias, Madeira, etc. No entanto percebeu que as latitudes e os rumos navegados que os pilotos portugueses lhe forneciam para os pontos mais importantes da costa da Terra Nova (como por exemplo o Cabo St.John e o Cabo Spear, como hoje são conhecidos) não se ajustavam à primeira escala, daí tendo seguramente surgido a engenhosa ideia de ajustar uma escala oblíqua na carta.
 1504 Maiollo 
1506 Nicolaus Caraverius
1503 Kunstmanns 
1504 Kunstmanns
1507 J. Ruysch
1507, mapa mundi waldseemuller
Os portugueses viajaram pela costa ocidental da América Latina muito antes de 1513, quando o espanhol Fernando Balboa “descobriu” o Oceano Pacífico para os europeus ou da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães em 1519.  Por volta de 1500, o rei de Portugal D. Manuel I patrocinou uma viagem secreta em que navegadores, dos quais a guarnição de Gonçalo Coelho passou pelo  Estreito conhecido mais tarde por Magalhães, dobrou o cabo Horn e navegou depois ao longo da costa ocidental do continente Sul americano. Observe-se a junção das fronteiras do Chile com o Equador que estão a 19 graus de latitude Sul. É verdadeiramente impressionante este pormenor geográfico correcto num mapa com a data de 1507. Este mapa do século XVI mostra inequivocamente a prova de que Portugal chegou ao Pacífico primeiro que a Espanha
1507 waldseemuller globo e mapa 
1516 walddseemuller carta marina
1511 Vesconte Magiollo
1513 Francisco Roíz Rodrigues e Tomé Pires 
 1513 Pires Reis
1514 João de Lisboa
1514 mapa de João de Lisboa, que têm o nome do Estreito de Magalhães,  elaborado em 1514, anterior à viagem de 1519 de Fernão de Magalhães. Como pode isto ser possível da datação do livro “ Tratado da Marinharia” de João de Lisboa, ser de 1514 e por cima do traçado do Estreito aparecer o nome de “Estreito de Magalhães?!
 A "Cola do Dragão" foi assim representada antes da viagem oficial, conforme já dissera António Galvão...  Sendo João de Lisboa piloto de Magalhães, resultam ainda outros coisas assuntos misteriosa e põe em causa a datação da sua morte.
João de Lisboa não consta na lista de 18 sobreviventes da viagem de circum-navegação à chegada a Espanha da nau Sebastião Delcano.
A história contada por Magalhães a Pigaffeta sobre um eventual mapa de Martin Behaim ganha contornos de simples despiste ao cronista, mas no fundo também poderá não ser despiste nenhum, uma vez que já havia conhecimento da costa ocidental da América do Sul, no oceano pacífico navegado antes de 1507 , como pode ser comprovado pelo mapa de Waldseemuller elaborado em 1507.
Pedro e Jorge Reinel ajudaram também Fernão de Magalhães com diversos mapas.
Na viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães levava consigo João de Lisboa como piloto da nau capitânia, que no livro do “tratado da Marinharia” feito por si, desenhou 5 anos antes 1514 um mapa com o respectivo Estreito, com ligação do oceano Atlântico para o oceano Pacífico!.
Para que tudo passasse despercebido a inscrição “ estreito dos Magalhãeis” sobreposta no traçado do canal do mapa de João de Lisboa aparece após a conclusão da viagem de circum -navegação da chegada a Espanha por Sebastião Delcano depois de Setembro de 1522. O mesmo é dizer que não bate a cara com a careta!
O facto de estar escrito "estreito dos Magalhãis" dá logo a a entender que foi posteriormente incluído.
1516 Vesconde  de Maiollo
1519 mapa Miller
Mapa preparado em Portugal como prenda de casamento [presente envenenado] com o objectivo obscuro: evitar que Fernão de Magalhães realizasse a sua volta ao mundo ao serviço dos reis espanhóis. O Atlas Miller, assim conhecido porque o seu último dono particular foi Emanuel Clement Miller, é um dos mais luxuosos mapas conhecidos da era dos descobrimentos. Hoje encontra-se depositado na Biblioteca Pública de Paris. A sua concepção e preparação são atribuídas a Lopo Homem, Pedro e Jorge Reinel, enquanto a ilustração foi executada pelo miniaturista António de Holanda. Tratou-se da oferta de casamento de D. Manuel à sua terceira mulher, D. Leonor de Áustria, irmã do rei de Espanha, Carlos V, empenhado em financiar o projecto de Fernão de Magalhães, que preparava a viagem de circum-navegação. O mapa, que é bastante detalhado e correcto em vários aspectos, mostra também um oceano Atlântico rodeado de terra por todos os lados, sem ligações a outros oceanos. Este e outros pormenores levam os estudiosos a concluir que o mapa era um logro montado por D. Manuel, de modo a fornecer informações falsas que levassem o monarca espanhol a cancelar a expedição do português Fernão de Magalhães.
1520  Pietro Coppo
1526 Canvas
1529 Diogo Ribeiro carta Universal
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1544 Sebastion Caboto
  
  
 
 
 mapa Diogo Homem 1558

1550 Lopo Homem
1551 Sancho Guiterrez
1552 Munster
1554 Lopo Homem
1554 Sebastian Munster
1558 Sebastião Lopes
mapa Vaz Dourado 1572  
 



mapa António Sanches 1623











 
mapa de Pinheiro Furtado –Tenente Coronel, de  1790
 mapa de Angola 1860
 mapa pigaffeta 1592
 Mapa do Reino do Congo , com a " Ilha e Porto de Loanda " , de Gerardo Mercator, 1630
1630, João Teixeira Albernaz
 mapa de Allain Manesson Mallet (1630-1706), impresso em Frankfurt em 1686
 
Mapa de 1717
 mapa costa marítima Angola 1784
 mapa Nicholas Bellin 1757 
 mapa Jacques Beline 1754
 mapa J. Janssonius 1650
mapa R. Reynolds 1771  
mapa Ortellius A. 1570-1580
 mapa 1748
 mapa 1749
 
 
 

  
 
 

  
mapa  Angola de 1885
 mapa África Austral de 1877
  

 
 
 


   
 
 
 
 
 
  
 mapa Angola de 1892